Esperança

06-Os-Enamorados[1]22

Não sei como começar este texto. Temas abstratos, normalmente, são árduos para expressão humana. Talvez seja insanidade em minha mente constantemente nevrostênica. Talvez não. Ora pode ser por eu ser escorpiano, com ascendente em peixes e lua em virgem, ora não. Mas a verdade é que sou o que sou. Sempre tentando, desde que me conheço, conhecer a confusão que é a minha existência. Destarte, pode ser por isso que eu possua tamanha facilidade e apreço pelo incompreendido, pelo mistério, em ver o impossível como possível, naturalmente que materializam-se, tomam a sua quarta forma.

Os pensamentos são essa materialização, o Imperador (4). Tomam sua forma, tornando-se imortais. Já ações, creio que são como o segundo arcano do Tarot, A Papisa, é o conteúdo da forma, mas podem morrer, podem ser mortais.

A âncora Cristã (e não cristã) é formada pelo triangular:

 

Esperança                   Caridade

Eliphas Levi dissera: “Todo poder mágico está no ponto do equilíbrio Universal. A sabedoria equilibrante está nestas quatro máximas: Saber a verdade, Querer o bem, Amar o belo e Fazer o que é Justo. Porque a verdade, o bem, o belo e o justo são inseparáveis, de tal forma que aquele que sabe a verdade não pode deixar de querer o bem, amá-lo porque é belo e fazê-lo porque é justo.

O ponto central na ordem intelectual e moral é o laço de união entre a ciência e a fé. Na natureza do homem este ponto central é o meio pelo qual se unem a alma e o corpo para identificar a sua ação. Todo homem está destinado a atingir este ponto, porque Deus deu a todos uma inteligência para saber, uma vontade para querer, um coração para amar e um poder para operar.”

O mesmo se aplica a âncora Cristã: é necessário ter Esperança para o êxito, a Caridade para consolidação, Amor para a Fé e a Fé para a realização. Temos uma inteligência para saber que somos todos Um, logo, seguindo a Correspondência, sendo caridoso com o próximo, tornas-te caridoso por si mesmo; temos o sentimento de Esperança para querer, desejar, esperar e um coração para realizar tudo pelo Bem Maior, trazendo à tona o poder da Fé.

Quando o assunto é abstrato, impalpável, é um sentimento ou se trata de misticismo, ou melhor, quando um tema trata-se de Fé, e não de Ciência, é como se estivéssemos em um infinito Oceano e, por acaso, um perdido companheiro pedisse para provar o horizonte. Não há como provar o horizonte. Encontrando a harmonia entre o seu ser, a sua existência, o seu coração, o seu sentimento, todo o seu ser interior com o exterior, prova-se a si mesmo a razão do horizonte. Mas isso depende de cada um, de seu coração, de sua visão.

Todos nós vivemos em uma jornada infinita onde todos estão sozinhos, para poder descobrir que todos são parte de um só. Há certas coisas que para se falar depende, e muito, de suas vivências, experiências adquiridas. Não adianta o cego explicar a cegueira para aquele que nunca a teve. O verdadeiro sábio dá a resposta, mas selada em meio a figuras de linguagens, símbolos, para não retirar a oportunidade de escolha de quem o procurou. Gosto de falar de Jano, o deus menor grego das portas, das escolhas. Associo-o também ao arcano do Tarot dos Enamorados (6). Sempre que se segue um conselho, se retirar o livre arbitrio do locutor, não é um conselho, é um assassínio. Cada um precisa enxergar o seu caminho por si mesmo para que, no futuro, todos se encontrem na linha de chegada.

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A esperança consiste justamente na linha de chegada. Não importa o que aconteça, não importa as adversidades da vida, “enquanto há fé, há esperança”. As pessoas que possuem diligência, fé, não desistem. Pode a chuva cair, mas qualquer tempestade tem fim. As pessoas sempre possuem a Esperança de conseguir alcançar o objetivo, o caminho que almejam.

É um sentimento presente em cada um de nós, todos já a sentiram, sentem e irão sentir. Mas não há como explicar-lhe. A esperança, a fé, a caridade e o amor são intrínsecas, inseparáveis, pois é como um tripé: retirando-se um pé, todo o objeto encontra a queda.

A esperança é a Luz, a Força que nasce dentro do mais profundo do nosso ser, desconhecido até por nós mesmos, que nos move, que nos dá Coragem para seguir em frente, para separar o Joio do Trigo, que nos dá foco para realizar, com êxito, nossos objetivos.

No dia-a-dia, creio que a Esperança está em nossa Criação. Vivemos em um mundo frenético, louco, ávido pelo exibicionismo, pela vaidade, pelo pó, pelo materialismo, cada vez mais no fora, e cada vez menos no dentro. Acredito que a esperança, dentro de mim e, de certa forma, em todos, está em cada dia poder criar um refúgio a tudo isso. Em poder criar a própria personalidade, o próprio modo de ser, viver cada segundo de uma maneira nova, por meio de conhecer. Acredito que a Esperança nos leva ao amor próprio, uma vez que nos ensina quem somos, nos faz parar para refletir e fitar o quanto mudamos, amadurecemos, evoluímos e crescemos. Paramos para refletir nas interpéries da vida, e não nos momentos bons. E são nesses momentos de tristeza, de possível perda, nessas chances de recomeço é que se dá uma nova chance a si mesmo, e é aí que nasce a Esperança: de dentro nossos corações. Colhemos o que plantamos, disso todos nós sabemos. Mas é muito difícil refletir e encarar cada situação, cada ação, pois que, como dito anteriormente, o pensamento é imortal, mas a ação, mortal. Se nos isolamos para estudar, para nos entender e, depois nos sentimos sozinhos, não sabemos o motivo. É na tristeza que nasce a Esperança, uma vez que quando se está alegre, há uma aparente visão de harmonia, de sincronicidade, de objetivo alcançado. É na tristeza que encontramos os obstáculos em frente aos nossos pés, na estrada. É na tristeza que pensamos em parar e recomeçar, de uma nova maneira. Isto que difere a Fé, presente em qualquer situação, da Esperança, que nos conforta com a Fé.

O que esqueço muitas vezes e, creio que todos devem ter momentos de queda, é que temos esperança e medo em nossa mente, onde oramos por alguém que seja iluminado e que possa nos dar seus poderes positivos. Mas, acaba sendo um pensamento como o de um dono de cão que dá um biscoito para agradá-lo, não precisamos querer agradar seres iluminados, rezamos para conseguir a aptidão de receber sua Graça incondicional. “Somos como uma bola de ferro impenetrável sem uma argola que possa ser fisgada pelo gancho de sua compaixão”.

Sempre tive um lema de vida que diz: “se está parado, faça caridade. Se está ocupado, ore”. Acredito que o meu caminho para incorporar a Esperança de modo definitivo em minha vida irá se iniciar no dia em que eu realmente aplicar isso com todo o meu corpo e alma, que, com certeza, trará-me muita paz, serenidade, luz e sabedoria.

Já foi dito, mas faz-se mister salientar que, sob a óptica espiritual, acredito que a Esperança é um dos alicerces da Fé, da Caridade e do Amor.

Todavia, apesar de tudo, só posso usar a clássica frase: “Eu só sei, que nada sei”, pois possuo apenas dezoito anos e tudo que eu ouso dizer saber e acreditar é apenas um grão de areia diante da complexidade e infinidade do Conhecimento Universal.

Creio que, ao invés de uma dissertação, acabei por redigir um desabafo, um devaneio dentre tantos que vivem em minha mente. Espero que não tenha problemas com isso, e muito obrigado pela oportunidade concedida.

Paz e Luz,

Ambreus

 

“Senhor dos Céus e da Terra! Abençoai nosso ideal, aqui e além,
…dai-nos o poder de entender a Vossa bondade, para que seja cumprido a lei.

…Dispensai o nosso ódio, para que haja alegria.
…Dispensai o medo, para que surja a coragem.
…Dispensai a inércia, para que nasça o trabalho.

…Consenti, Senhor, que o Vosso nome não fique em vão nos nossos caminhos,
…nas nossas atitudes e no nosso amor para Convosco, para com o próximo.

Ajudai-nos a aumentar a nossa fé, para que possamos doar esperanças,
…fazei-nos que nossa caridade de avolume, para que possamos doar paz,
…ajudai-nos a multiplicar a nossa fraternidade, para que possamos doar amor.
…E que, ao sairmos daqui, sejamos interligados pela luz, onde brilham as estrelas,
…ainda que distantes umas das outras.

…Que se faça a Vossa vontade e não a nossa!”

Francisco de Assis

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